Review – Gunman Clive (Nintendo 3DS)

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Jogo #1 da limpeza de backlog

A primeira coisa que chama atenção de qualquer pessoa em Gunman Clive é seu estilo visual. Não sei bem precisar, mas me parece uma mistura de gráficos de Game & Watch (primariamente contornos) e coloração de papel envelhecido que, tomando um pouco de liberdade, chamaria de “cor de faroeste”.

Clive é um cowboy que sai em busca da filha do prefeito, que foi raptada por uma espécie de robô-cowboy-bandido, numa trama qualquer que se desenrola nos anos de 1800-e-alguma-coisa desta linha temporal steampunk. A progressão é dividida em fases bem curtas, com o desafio opcional de passar por cada seção sem sofrer danos. O progresso é salvo a cada momento, fazendo com que uns poucos minutos disponíveis para jogar já compensem abri-lo.

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Dirigido e programado por Bertil Hörberg, Gunman Clive é um jogo de ação em plataformas muito bem ajustado, com jogabilidade refinada e simples. A duração é bastante curta, terminei em menos de 2 horas a primeira campanha, mas que ao final, desbloqueia duas novas personagens com jogabilidade diferenciada, que devem dobrar o tempo de jogo.

Apesar de curto, é um jogo muito bem-feito, bonito e agradável. É também muito barato, custa menos de 2 dólares no 3DS (onde joguei) e é possível comprar por pouco mais de 4 reais no Steam. Fica aqui a recomendação, especialmente se você vai encarar uma viagem curta, uma espera um pouco mais longa ou quer algo pra jogar em intervalos pequenos.

Gunman Clive

Lançamento: Abril de 2012
Gênero: Ação/plataforma
Plataformas: Nintendo 3DS, Android, Wii U, iOS, Microsoft Windows.

 

Vamos enxugar aquele backlog de jogos?

Atualização: Lista de jogos revisados no final do post

Backlog, do grego “jogos que comprei e não joguei”, é um problema na minha vida. É um problema de primeiro mundo, é um não-problema, mas me incomoda. Esse ano resolvi que meu backlog vai ser reduzido de verdade. Para isso, estabeleci a meta de terminar/aproveitar/enfadar um jogo por semana e, em mais uma tentativa de ressuscitar este blog, vou escrever uma resenha de cada um deles por aqui.

As resenhas vão ser curtas, inclusive porque não tenho mais o hábito de escrever e vai ser quase tão trabalhoso quanto jogar. Espero também que elas melhorem substancialmente de qualidade ao longo do ano. Veremos.

Alguns número para vocês terem a noção do “problema”, que é visivelmente maior no PC por conta dos famosos (e atualmente boicotados por mim) Humble Bundle e Steam Sales, mas que também tem aumentado no Switch por causa do SaveCoins:

Plataforma Jogos
3DS 29
DS 5
Gamecube 6
PS3 7
PC 164
Switch 4
Wii 19
Wii U 15
Total 250 (!!)

Se eu conseguir manter a média de um jogo (com review) por semana e não comprar nenhum jogo este ano (hahaha), ao final de 2018, ainda terei cerca de 200 jogos no backlog. Nada animador, mas me acompanhe em mais um projeto que não tem chance de dar certo :)

Jogos revisados até o momento:

      1. Gunman Clive (3DS)
      2. Shantae and the Pirate’s Curse (3DS)
      3. Windward (PC)
      4. Out There Somewhere (PC)
      5. QuantZ (PC)
      6. Subsurface Circular (Switch)
      7. Rocket Fist (Switch/PC)

     

SOAP vs REST?

Este post surgiu como uma resposta em uma discussão bastante interessante no grupo de telegram PyBR e a versão mais rudimentar dele foi escrita em um gist. Um membro pediu indicação de uma biblioteca Python para lidar com Web Services que utilizavam SOAP como protocolo, outros membros questionaram a razão dos serviços não estarem implementados em RESTful, e por fim alguém falou que SOAP era um jeito ultrapassado de implementar Web Services. Como faz algum tempo que eu não lido com SOAP, logo imaginei que algo havia surgido neste meio-tempo para substituí-lo.

Mas não, ele se referia à RESTful Web Services como um substituto do SOAP. A verdade é que sequer faz muito sentido fazer uma comparação entre REST e SOAP, visto que o primeiro é um padrão arquitetural, o segundo um protocolo. Acho que faz mais sentido fazermos uma comparação entre HTTP (seguindo REST ao pé da letra ou não) e SOAP.

Para a maioria dos casos que encontro hoje em dia, implementar uma API pública utilizando HTTP faz muito mais sentido, tanto pela flexibilidade de poder usar XML ou JSON, quanto pela simplicidade da operação. Mas quando eu acho que SOAP vale a pena ou é a escolha “certa”?

Modelagem de negócio

A maioria das APIs têm foco em entidades e operações básicas nessas entidades (ex.: entidade Cliente e operações de inserir (PUT), alterar (POST), buscar (GET), etc…). Você começa a ter problemas em manter sua modelagem (endpoints, coerência interna, etc) de forma consistente quando suas operações não tem uma entidade clara, ou fogem muito do padrão CRUD que os métodos HTTP “impõem”. Tenho certeza que todos podemos imaginar exemplos disso, aplicados à nossa realidade. Eu já tive, por exemplo, que fazer um serviço/endpoint para migração opcional de dados de um sistema antigo para um novo, sob demanda de certos usuários. Como eu represento isso bem apontando para uma entidade e uma única operação/método HTTP?

Protocolo de transporte

Você sempre pode usar HTTP/HTTPS? Quando não, SOAP é independente de protocolo de transporte e resolve essa para você.

Tratamento de erro

SOAP possui tratamento de erro embutido. É possível que algumas libs ou frameworks para RESTful web services hoje em dia também possuam, se não for o caso e você não quiser/tiver tempo de implementar sua própria camada de confiabilidade, SOAP é uma boa escolha. Há também garantia de transporte/entrega, independente do protocolo de transporte.

Operações com estado

O título da seção já é bem descritivo. SOAP preconiza e suporta interações stateful, simular/garantir algo parecido com APIs RESTful utilizando HTTP/S não é simples, e filosoficamente, nem deve ser feito, para ser direto.

Autenticação

Embora não seja difícil implementar autenticação em serviços RESTful, não há o conceito de sessão, portanto, é muito complicado implementar autenticações consistentes que fujam do padrão token/passcode ou que usem aquele OAuth by google/facebook. É muito comum, por exemplo, precisarmos aproveitar o Enterprise Single Sign-On (SSO) que uma empresa já use internamente, para autenticar o uso de web services.

Conclusão

Amo RESTful APIs + HTTP/S e vou protegê-los. Odeio SOAP e ter que lidar com XML. Adoraria que todos esses problemas sumissem, mas é pouco realista. A verdade é que um não surgiu para substituir o outro, mas sim para simplificar a implementação e consumo de Web Services em determinados casos. O prêmio de consolação? Implementar estes serviços com SOAP, hoje, é muito mais simples que nas épocas das primeiras versões do JAX-WS e frameworks similares. Não dói tanto quanto parece.

“O último desejo” – Livro

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Este é o primeiro volume de uma série de livros sobre o bruxo Geralt de Rivia, que deu origem à famosa série de jogos eletrônicos The Witcher. A capa da edição que li é uma clara alusão à isso, trazendo na frente uma imagem que remete ao personagem principal como é caracterizado nos jogos e, no verso, uma alusão à série de jogos.

A obra é estruturada em uma série de contos, que são flashbacks sobre a vida da personagem principal, precedido por capítulo de curta introdução ou alusão ao acontecimento. É um formato que possui vigor e mantém o interesse na obra, que teria tudo para ser mais um high-fantasy medieval europeu.

Um mal é um mal, Stregobor – retrucou seriamente o bruxo, pondo-se de pé – Menor, maior, médio, tanto faz… As proporções são convencionadas e as fronteiras, imprecisas.

O que torna O último desejo atraente é a carga cultural presente. O autor, polonês que escreve em polonês, bebe muito dos costumes e mitologias eslavas para a construção do mundo fictício, numa narrativa sem heroísmos exagerados ou maniqueísmos baratos. Isso é visível na forma como Geralt trata os próprios defeitos físicos e morais, mas também pelos diálogos, muito incomuns neste tipo de obra, sobre o menor de dois males, o preço da ética e culpabilidade. Sendo eu simplista, não esperaria menos de um autor do leste europeu.

Infelizmente não tenho como avaliar a tradução, pois desconheço completamente a lingua original, mas o texto flui bem e não encontrei problemas de revisão. Fica a recomendação para quem leu pouco high-fantasy ou já leu demais. Confesso que estava bem saturado da temática e seus *tropes*, mas o livro me surpreendeu. Se você já está enfadado de cavaleiros, realeza, dragões e espadas mágicas, pode ser o ar fresco que você precisa para continuar lendo o gênero.

Se você curte um joguinho, recomendo demais os dois primeiros da série (“The Witcher” e “The Witcher 2 – Assassins of kings”). O terceiro não joguei ainda.

Recomendações de podcasts – Computação e afins

Semana passada listei os meus podcasts preferidos de história, política e outras humanidades. Chegou a vez dos podcasts de exatas e da terra, incluindo computação, estatística e ciências pedantes em geral.

Segue a lista em ordem alfabética:

Data skeptic

Apresentado por um estatístico e uma cientista da computação, este podcast aborda temas atuais sobre ceticismo e ciência de dados. Alguns episódios são sobre projetos com destaque na mídia, com entrevistas e cerca de 1 hora de conteúdo, enquanto outros são sobre conceitos fundamentais de ciências de dados e estatística (conhecidos como episódios “mini”), com cerca de 15 minutos de duração.

FLOSS weekly

Free Libre Open Source Sofware (FLOSS) Weekly é um podcast comandado por Randal Schwartz sobre software livre. Toda semana um desenvolvedor ou representante de um projeto open-source diferente é entrevistado. É uma excelente maneira de conhecer novos projetos ou saber mais sobre o funcionamento interno de projetos conhecidos.

Fronteiras da ciência

Criado como programa para a rádio universitária da UFRGS, o Fronteiras da ciência se propunha a abordar as diferenças entre ciência e pseudociência. Com o tempo isto foi mudando, e hoje os professores do departamento de física da federal do Rio Grande do Sul se dedicam a entrevistar pesquisadores sobre suas áreas de pesquisa. Temas de ciência clássica, história da ciência e utilidade pública se misturam. Por ser um programa de rádio, o tempo é contado, e cada episódio tem em torno de 30 minutos, o que termina condensando muito a informação. As áreas de conhecimento não variam muito, ficando mais na física e biologia que em qualquer outra coisa.

Hanselminutes

Scott Hanselman é um programador, professor e ex-evangelista da Microsoft, portanto quem ganha a vida com .NET já deve conhecê-lo de outros carnavais. Em Hanselminutes, ele se dedica a entrevistar personalidades do mundo do software, o que inclui programadores, gerentes, empreendedores e todo o resto da fauna. Raramente a conversa fica técnica demais e geralmente é focada em aspectos sociais da tecnologia em questão ou de carreira.

Herding code

Um podcast de entrevista com desenvolvedores de software dos mais diversos estratos e funções. Baseados em Oslo, os apresentadores conversam com professores, pesquisadores e autores de livros, diretamente de eventos acadêmicos do norte da Europa. Como os programas dependem da ocorrência dos eventos, a frequência é irregular e é comum termos hiatos de alguns meses. Mais um caso de podcast que vale a pena assinar no feed e esperar.

Linear digressions

Comandado por Katie Malone e Ben Jaffe, este podcast discorre sobre as questões mais atuais sobre aprendizagem de máquina e ciência de dados. De todos os podcasts que já ouvi sobre o assunto, este é, de longe, o que tem o pessoal mais qualificado para discutir aspectos técnicos da área. Você não vai encontrar discussões ou explicações sobre o conceitos básicos de aprendizagem de máquina, portanto, não é indicado para quem já tem alguma familiaridade com o assunto.

Partially derivative

Eu nem sei quantos apresentadores esse programa tem, mas são muitos. O podcast discute notícias da área de ciência de dados e dá dicas de cervejas artesanais. Os episódios são agradáveis e bem estruturados, mas o programa em si não tem nada de especial. É uma boa referência para se manter atualizado.

Talking machines

Um filho da sociologia com a computação, este podcast discute os aspectos humanos do aprendizado de máquina. Questões como algoritmos racistas, exclusão tecnológica e questões éticas em grandes massas de dados são discutidos com frequência e propriedade. Talvez este seja um podcast importante não apenas para os estudantes, professores e profissionais de ciências de dados, mas para interessados em tecnologia em geral.

The changelog

Uma proposta muito parecida com o FLOSS Weekly. Um podcast semanal com um projeto open-source diferente em cada episódio. Termino gostando um pouco menos deste por conta da natureza dos projetos abordados. Uma parte significativa é sobre desenvolvimento web, coisa que eu sou incapaz de me importar menos.

Ubuntu podcast

Antigo Ubuntu UK podcast, este programa fala de atualidades do mundo Linux, com foco, obviamente, na distribuição Ubuntu e suas distros derivadas. Conta com apresentadores que trabalham com aspectos importantes do sistema operacional e em empresas/projetos de peso (IBM, Canonical, Linux Mint, etc). Falam com um inglês ao mesmo tempo britânico e diverso. Bom para ficar atualizado e treinar o ouvido com os diversos sotaques da terra da rainha.

É isso. Antigamente eu costumava ouvir muitos dos podcasts da Jupiter Broadcasting, como o Linux Action Show e o Coder Radio. O problema é que estes podcasts estão recheados de opiniões fortes sem muito embasamento. Isto é uma praga que assola o conteúdo opinativo sobre tecnologia: a preferência quase religiosa a certas empresas e tecnologias, assim como a demonização de outras. Depois que a adolescência acaba, isso começa a cansar.

Recomendações de podcasts – Humanidades e entretenimento

Em 2007, criei um hábito que nunca mais abandonei: ouvir podcasts. No começo não havia muita variedade (especialmente em português) ou muitos temas sobre os quais (achei que) fosse possível fazer um podcast. Com o tempo isso foi mudando, o número de podcasts e temas foi aumentando e, em diversos momentos, precisei fazer uma limpa, curar e reorganizar o que, quando e como ouvir.

Quando morava em Blumenau, eu gastava muito pouco tempo de deslocamento até o trabalho, e em casa eu tinha pouca oportunidade para ouvir algo com exclusividade e atenção, o que limitava bastante a quantidade de horas semanais disponíveis para ouvir podcasts. Não lembro o quanto ouvia por semana, mas certamente não era mais que 5 horas, distribuídos entre 3 a 5 podcasts diferentes, quase todos nacionais e de entretenimento.

Com o tempo, o gosto foi ficando mais restritivo, as fórmulas ficaram óbvias, essa coisa de cultura pop me encheu o saco de vez e terminei largando, um a um, os podcasts dessa galera engraçadinha que todos nós conhecemos, e fui substituindo por gente mais qualificada para falar sobre o que se propõe a falar. Então, não, não há Nerdcast, MRG e afins nas minhas recomendações.

Em Manaus, com o transporte público caótico e um tempo de deslocamento bem maior que o que estava acostumado (olá, UFAM), passei a ficar sem conteúdo para ouvir durante as viagens. Para suprir a lacuna, comecei a colocar novos podcasts na lista. Como era inevitável, eventualmente adicionei mais programas do que conseguiria ouvir em uma semana comum, retornando ao problema original.

Nunca consegui e provavelmente nunca conseguirei resolver este problema, o jeito é ir revisando a lista e removendo podcasts que não me interessam mais ou que caíram muito de qualidade com o tempo. Passei também a adotar uma artimanha que denuncia meu vicio: ouvir os podcasts em velocidade acelerada. Comecei com 1.1x para podcasts em português e hoje ouço tudo em 1.5x, exceto um podcast britânico, que é cockney demais para esta velocidade.

Como a lista ficou maior do que imaginei, resolvi que este post trará somente os podcasts das humanidades e entretenimento. Em breve (de verdade), farei um post sobre os podcasts de ciências exatas, incluindo computação e estatística. Vamos à lista, em ordem alfabética:

Anticast

Os príncipes da treta. Mesmo que você não tenha ouvido falar no Anticast, talvez já tenha ouvido falar dos episódios sobre o Olavão ou sobre o machismo nerd, que renderam confusões infinitas em certos feudos da internet nacional. Apresentado por Ivan Mizanzuk, o podcast não tem um escopo muito bem definido. Começou como um programa em que designers comentavam temas diversos, e foi se tornando um local de fala de muitas minorias e exposição de temas sensíveis da atualidade, eventualmente intercalados por programas sobre história da arte, TV, cinema e essas coisas de “cultura pop” que todo mundo parece gostar tanto. Aprendi a respeitar muito mais o Anticast pelo seu posicionamento claro em questões importantes: viés político, questões de gênero e inclusão social não são varridos para baixo do tapete.

Fronteiras invisíveis do futebol

Apresentado por Matias Pinto, este spin-off do podcast Xadrez Verbal fala sobre política internacional e história, utilizando como desculpa o futebol. Até então, cada episódio se concentra em um país ou região, tais como Galícia, Ucrânia ou Colômbia, para explicar questões históricas locais que afetam o esporte, mas também o inverso, quando o futebol é utilizado como ferramenta política. O podcast é quinzenal, o que certamente é uma folga bem-vinda na minha rotina. Acabou de sair o episódio 10, então se o podcast te interessou, corre lá e já ouve desde o primeiro.

Gamers with jobs

Desde que comecei a ouvi-lo, em 2008, Gamers with jobs nunca saiu da lista. Se aproximando do episódio semanal de número 500, este programa é uma lufada de ar fresco sobre a triste situação dos podcasts de jogos, tanto anglófonos quanto lusófonos. É muito bom ouvir adultos falando de forma adulta sobre jogos (estes, adultos ou não). Um ambiente bastante inclusivo e seguro, convidados que sabem do que estão falando (Ken Levine, por exemplo, é presença recorrente), cobertura de uma gama enorme de jogos, com diferentes orçamentos, gêneros e plataformas. Já comprei até um console por culpa desse pessoal. (:

In our time

Um podcast sobre a história das ideias. Gravado para a rádio BBC 4, este programa é disponibilizado também para a internet (com alguns extras no final). Confesso que muitas vezes pulo o episódio da semana, visto que alguns temas são muito distantes do meu interesse. Há episódios sobre civilizações antigas, escritores, artistas plásticos, cientistas e figuras históricas diversas. Há, eventualmente, programas sobre temas atuais, como neutrinos ou P v NP, mas estes nunca são sobre os fatos ou ideias em si, são sobre o contexto de onde as ideias vieram.

Navio pirata

Drogas recreativas, música, jogos, cinema, política e mais drogas recreativas. Com parte dos integrantes do falecido Amigos do Fórum, do também falecido Kotaku Brasil, este podcast é de longe o menos sério deste lista. Difícil descrever sem estragar, ouve lá. Eles também tem alguns hiatos longos, então o mais recomendado é assinar o feed, que um dia um episódio novo aparece.

Projeto humanos

Um spin-off do Anticast, no qual Ivan Mizanzuk aborda um tema por temporada, com entrevistas e narração de contexto histórico. Na primeira, “As filhas da guerra”, entrevista mulheres sobreviventes do holocausto, repercussões da Segunda Guerra na comunidade judaica, etc. Na segunda temporada, “O coração do mundo”, são entrevistados muçulmanos brasileiros, historiadores, sociólogos e um soldado/interrogador americano sobre os conflitos no Oriente Médio a partir do começo do século XXI.

Três páginas

Outro spin-off do Anticast. Neste, escritores convidados fazem comentários sobre textos, de até três páginas, enviados pelos ouvintes. O objetivo é criticar e melhorar a escrita dos aspirantes a escritores, incluindo os que não mandaram nada para o programa. Há bem poucos episódios e um longo hiato, mas há promessa de novos episódios em breve. É mais um podcast para assinar o feed e não esperar com ansiedade.

Xadrez verbal

Política internacional, história e atualidades. Apresentado por Felipe Figueiredo com a assistência de Matias Pinto, este é o melhor podcast da lista de hoje. Os episódios semanais são sempre muito atuais, e muitas vezes “proféticos”. Coisa de quem sabe do que está falando e tem boa visão geral dos mecanismos do mundo. É, de longe, o podcast que me faz me sentir mais estúpido e alienado. Minha recomendação máxima para este programa que me coloca em meu devido lugar na pirâmide dos idiotas, toda semana (:

Se você é um dos 4 ou 5 leitores deste blog e sentiu falta de algum podcast hipongo, deixe indicações nos comentários.

Chega de miçangas por hoje. O próximo post será sobre os podcasts das exatas.

 

“O século das luzes” – Livro

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O livro “O século das luzes“, do escritor cubano Alejo Carpentier, é um romance histórico sobre duas coisas: um personagem histórico controverso e uma revolução traída.

A história se passa no século XVIII, às vésperas da revolução francesa, e é protagonizada por um fictício trio de ricos órfãos, que passa seus tediosos dias devorando livros e objetos de cultura europeia, até que conhecem Victor Hughes, um comerciante maçom francês com anseios revolucionários.

Sem entrar em detalhes que estraguem a trama para os que pretendem ler, basta dizer que o resto do livro se propõe a romancear o desenvolvimento deste personagem histórico, bem como os desdobramentos da revolução francesa no mar das caraíbas e suas colônias francesas, inglesas, espanholas e holandesas.

Embora de vocabulário denso, dificultado por uma tradução que, apesar de competente, troca termos em francês por espanhol e vice-versa sob a justificativa de “dar clareza”, esta é uma leitura que recomendo muito. O estilo propositalmente barroco do autor oferece seus desafios e deixa um gosto de pedantismo e anacronia, visto que o livro foi escrito em 1956 e se passa entre 1788 e 1810, dois períodos nada barrocos :).

Victor Hughes, seu governo na ilha de Guadalupe, como a revolução francesa aportou e foi deportada das colônias latino-americanas e os levantes de escravos na região do Caribe são importantes demais para entender a forja histórica à que boa parte da América Latina foi submetida e o quão o imperialismo europeu, e até mesmo francês, do século XVIII parece inalterado, apesar da queda da Bastilha.

“Vamos pensar cada um como quiser e voltar a ser o que éramos”, disse ao sair. Mas Estêvão, a sós, sabia que aquilo era impossível. Existem épocas feitas para dizimar os rebanhos, confundir as línguas e dispersar as tribos.

Fica aqui a recomendação deste livro que faz uma aproximação suave a um contexto histórico tão importante para a formação da identidade latino-americana, e completamente ignorado na nosso currículo escolar.