Recomendações de podcasts – Humanidades e entretenimento

Em 2007, criei um hábito que nunca mais abandonei: ouvir podcasts. No começo não havia muita variedade (especialmente em português) ou muitos temas sobre os quais (achei que) fosse possível fazer um podcast. Com o tempo isso foi mudando, o número de podcasts e temas foi aumentando e, em diversos momentos, precisei fazer uma limpa, curar e reorganizar o que, quando e como ouvir.

Quando morava em Blumenau, eu gastava muito pouco tempo de deslocamento até o trabalho, e em casa eu tinha pouca oportunidade para ouvir algo com exclusividade e atenção, o que limitava bastante a quantidade de horas semanais disponíveis para ouvir podcasts. Não lembro o quanto ouvia por semana, mas certamente não era mais que 5 horas, distribuídos entre 3 a 5 podcasts diferentes, quase todos nacionais e de entretenimento.

Com o tempo, o gosto foi ficando mais restritivo, as fórmulas ficaram óbvias, essa coisa de cultura pop me encheu o saco de vez e terminei largando, um a um, os podcasts dessa galera engraçadinha que todos nós conhecemos, e fui substituindo por gente mais qualificada para falar sobre o que se propõe a falar. Então, não, não há Nerdcast, MRG e afins nas minhas recomendações.

Em Manaus, com o transporte público caótico e um tempo de deslocamento bem maior que o que estava acostumado (olá, UFAM), passei a ficar sem conteúdo para ouvir durante as viagens. Para suprir a lacuna, comecei a colocar novos podcasts na lista. Como era inevitável, eventualmente adicionei mais programas do que conseguiria ouvir em uma semana comum, retornando ao problema original.

Nunca consegui e provavelmente nunca conseguirei resolver este problema, o jeito é ir revisando a lista e removendo podcasts que não me interessam mais ou que caíram muito de qualidade com o tempo. Passei também a adotar uma artimanha que denuncia meu vicio: ouvir os podcasts em velocidade acelerada. Comecei com 1.1x para podcasts em português e hoje ouço tudo em 1.5x, exceto um podcast britânico, que é cockney demais para esta velocidade.

Como a lista ficou maior do que imaginei, resolvi que este post trará somente os podcasts das humanidades e entretenimento. Em breve (de verdade), farei um post sobre os podcasts de ciências exatas, incluindo computação e estatística. Vamos à lista, em ordem alfabética:

Anticast

Os príncipes da treta. Mesmo que você não tenha ouvido falar no Anticast, talvez já tenha ouvido falar dos episódios sobre o Olavão ou sobre o machismo nerd, que renderam confusões infinitas em certos feudos da internet nacional. Apresentado por Ivan Mizanzuk, o podcast não tem um escopo muito bem definido. Começou como um programa em que designers comentavam temas diversos, e foi se tornando um local de fala de muitas minorias e exposição de temas sensíveis da atualidade, eventualmente intercalados por programas sobre história da arte, TV, cinema e essas coisas de “cultura pop” que todo mundo parece gostar tanto. Aprendi a respeitar muito mais o Anticast pelo seu posicionamento claro em questões importantes: viés político, questões de gênero e inclusão social não são varridos para baixo do tapete.

Fronteiras invisíveis do futebol

Apresentado por Matias Pinto, este spin-off do podcast Xadrez Verbal fala sobre política internacional e história, utilizando como desculpa o futebol. Até então, cada episódio se concentra em um país ou região, tais como Galícia, Ucrânia ou Colômbia, para explicar questões históricas locais que afetam o esporte, mas também o inverso, quando o futebol é utilizado como ferramenta política. O podcast é quinzenal, o que certamente é uma folga bem-vinda na minha rotina. Acabou de sair o episódio 10, então se o podcast te interessou, corre lá e já ouve desde o primeiro.

Gamers with jobs

Desde que comecei a ouvi-lo, em 2008, Gamers with jobs nunca saiu da lista. Se aproximando do episódio semanal de número 500, este programa é uma lufada de ar fresco sobre a triste situação dos podcasts de jogos, tanto anglófonos quanto lusófonos. É muito bom ouvir adultos falando de forma adulta sobre jogos (estes, adultos ou não). Um ambiente bastante inclusivo e seguro, convidados que sabem do que estão falando (Ken Levine, por exemplo, é presença recorrente), cobertura de uma gama enorme de jogos, com diferentes orçamentos, gêneros e plataformas. Já comprei até um console por culpa desse pessoal. (:

In our time

Um podcast sobre a história das ideias. Gravado para a rádio BBC 4, este programa é disponibilizado também para a internet (com alguns extras no final). Confesso que muitas vezes pulo o episódio da semana, visto que alguns temas são muito distantes do meu interesse. Há episódios sobre civilizações antigas, escritores, artistas plásticos, cientistas e figuras históricas diversas. Há, eventualmente, programas sobre temas atuais, como neutrinos ou P v NP, mas estes nunca são sobre os fatos ou ideias em si, são sobre o contexto de onde as ideias vieram.

Navio pirata

Drogas recreativas, música, jogos, cinema, política e mais drogas recreativas. Com parte dos integrantes do falecido Amigos do Fórum, do também falecido Kotaku Brasil, este podcast é de longe o menos sério deste lista. Difícil descrever sem estragar, ouve lá. Eles também tem alguns hiatos longos, então o mais recomendado é assinar o feed, que um dia um episódio novo aparece.

Projeto humanos

Um spin-off do Anticast, no qual Ivan Mizanzuk aborda um tema por temporada, com entrevistas e narração de contexto histórico. Na primeira, “As filhas da guerra”, entrevista mulheres sobreviventes do holocausto, repercussões da Segunda Guerra na comunidade judaica, etc. Na segunda temporada, “O coração do mundo”, são entrevistados muçulmanos brasileiros, historiadores, sociólogos e um soldado/interrogador americano sobre os conflitos no Oriente Médio a partir do começo do século XXI.

Três páginas

Outro spin-off do Anticast. Neste, escritores convidados fazem comentários sobre textos, de até três páginas, enviados pelos ouvintes. O objetivo é criticar e melhorar a escrita dos aspirantes a escritores, incluindo os que não mandaram nada para o programa. Há bem poucos episódios e um longo hiato, mas há promessa de novos episódios em breve. É mais um podcast para assinar o feed e não esperar com ansiedade.

Xadrez verbal

Política internacional, história e atualidades. Apresentado por Felipe Figueiredo com a assistência de Matias Pinto, este é o melhor podcast da lista de hoje. Os episódios semanais são sempre muito atuais, e muitas vezes “proféticos”. Coisa de quem sabe do que está falando e tem boa visão geral dos mecanismos do mundo. É, de longe, o podcast que me faz me sentir mais estúpido e alienado. Minha recomendação máxima para este programa que me coloca em meu devido lugar na pirâmide dos idiotas, toda semana (:

Se você é um dos 4 ou 5 leitores deste blog e sentiu falta de algum podcast hipongo, deixe indicações nos comentários.

Chega de miçangas por hoje. O próximo post será sobre os podcasts das exatas.