“O último desejo” – Livro

26102218

Este é o primeiro volume de uma série de livros sobre o bruxo Geralt de Rivia, que deu origem à famosa série de jogos eletrônicos The Witcher. A capa da edição que li é uma clara alusão à isso, trazendo na frente uma imagem que remete ao personagem principal como é caracterizado nos jogos e, no verso, uma alusão à série de jogos.

A obra é estruturada em uma série de contos, que são flashbacks sobre a vida da personagem principal, precedido por capítulo de curta introdução ou alusão ao acontecimento. É um formato que possui vigor e mantém o interesse na obra, que teria tudo para ser mais um high-fantasy medieval europeu.

Um mal é um mal, Stregobor – retrucou seriamente o bruxo, pondo-se de pé – Menor, maior, médio, tanto faz… As proporções são convencionadas e as fronteiras, imprecisas.

O que torna O último desejo atraente é a carga cultural presente. O autor, polonês que escreve em polonês, bebe muito dos costumes e mitologias eslavas para a construção do mundo fictício, numa narrativa sem heroísmos exagerados ou maniqueísmos baratos. Isso é visível na forma como Geralt trata os próprios defeitos físicos e morais, mas também pelos diálogos, muito incomuns neste tipo de obra, sobre o menor de dois males, o preço da ética e culpabilidade. Sendo eu simplista, não esperaria menos de um autor do leste europeu.

Infelizmente não tenho como avaliar a tradução, pois desconheço completamente a lingua original, mas o texto flui bem e não encontrei problemas de revisão. Fica a recomendação para quem leu pouco high-fantasy ou já leu demais. Confesso que estava bem saturado da temática e seus *tropes*, mas o livro me surpreendeu. Se você já está enfadado de cavaleiros, realeza, dragões e espadas mágicas, pode ser o ar fresco que você precisa para continuar lendo o gênero.

Se você curte um joguinho, recomendo demais os dois primeiros da série (“The Witcher” e “The Witcher 2 – Assassins of kings”). O terceiro não joguei ainda.